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domingo, 31 de julho de 2016

Aquele do coração partido


(texto escrito em 06/06/15)

Eu voltei com o coração partido de Vancouver. Partido porque da mesma forma em que sentia falta da minha família aqui, também sentia falta da minha outra parte que eu tinha acabado de deixar para trás. Partido em saber que talvez nunca mais fosse reencontrar todas as pessoas que cruzaram o meu caminho por lá. E isso doía ainda mais.
E fiquei assim, sofrendo por meses. Sofrendo com a dor da partida. Irritada até mesmo com Deus por "ter me trazido de volta". Em silêncio comigo mesma. Em silêncio ao redor. Já tinham me dito que não era fácil voltar de um intercâmbio, mas só sabemos o que isso se significa quando chega a nossa vez. Ouvi outro dia de uma colega que a gente se prepara pra embarcar, mas nunca para voltar. É a pura verdade,
Estamos em maio e eu desisti da proposta de trabalho na Califórnia há 3 meses. Até então era a melhor coisa que havia me acontecido logo após a minha volta ao Brasil. Trabalhar, dessa vez, na minha área era a recompensa da via dolorosa, profissionalmente, que havia enfrentado no Canadá.
Eu já tinha dito sim ao emprego novo, mas algo precisou mudar naquele banheiro do hospital. Era uma daquelas "provas" disfarçadas de desafios que a vida nos envia e que a gente tem que tomar uma decisão imediata. O primeiro sinal de que algo estava errado. Mas não era comigo.
Eu precisava, a qualquer custo, descobrir o porquê de tudo isso. Quando eu colocava algo na cabeça muito raramente desistia. E eu queria mais do Canadá. Muito mais. Porém, por alguma razão maior não havia acontecido.

O feriado

A resposta veio de duas maneiras inesperadas. A primeira delas depois de um feriado prolongado, o qual batizei de "overdose de Vancouver", afinal, passei todos os 3 dias com amigas que moraram e trabalharam comigo lá, só para intensificar a nossa nostalgia.
As perguntas que não saiam da minha cabeça eram aquelas do tipo; "Por que não conheci ninguém por lá?" ou "por que nao arranjei um trabalho melhor para que pudesse fazer um college e estender meu visto?", coisas desse tipo.
Eu já tinha tentado encontrar essas respostas em desabafos com amigos, em ombros alheios e no menor sinal das entrelinhas e nada.
Até que no último dia do feriado acordei às 5h da manhã sem sono algum. Eu precisava orar. Era como se Deus tivesse me chamado para uma conversa séria na sala (meu cantinho). Levantei em silêncio e com a minha Bíblia na mão dobrei os meus joelhos. Logo depois da oração, abri a Bíblia e fiquei imóvel diante do que li. De repente, tive a sensação de que Deus estava sentado bem ao meu lado, me entregando todas as respostas que eu tanto procurei. E li:
"O Senhor FEZ todas as coisas para DETERMINADOS fins... Há caminho que parece direito ao homem, mas ao final são caminho de morte.... A sorte se lança no regaço, mas DO SENHOR procede TODA decisão" (Pv 16:4,25,33)
A cada vesículo, uma lágrima. Deus estava ali comigo, naquele canto da sala. Como um pai, paciente, ao lado da filha. Meu coração e a minha alma estavam em pranto, mas era algo mais relacionado à alegria do que qualquer outra coisa. Eu sentia vergonha de todos os pensamentos que tive e de todos os questionamentos.
O que aprendi foi que Deus tinha (e tem) todo o poder para fazer o que quisesse na minha vida. Se quisesse me dar um "marido canadense", teria me dado. Se quisesse me dar o melhor emprego, teria feito. Se quisesse que eu prosperasse, não teria me negado. Mas os planos DELE eram outros, bem diferentes dos meus. E eu só entendi tudo isso 11 dias depois.

A resposta

De repente, tudo o que eu havia me perguntado naqueles 5 meses de retorno começavam a fazer algum sentido. Meu coração transbordou de alívio como eu não sentia há alguns meses.
Exatos onze dias depois meu pai foi diagnosticado com um tumor na cabeça e uma cirurgia de urgência teria de ser feita. (Eu tinha desistido da California ao levá-lo a um pronto atendimento 4 meses antes, um dos sinais de que ele precisava de cuidados).
Dezenove dias depois ele foi operado e todas as respostas que eu precisava estavam bem diante do meu nariz. Aliás, se é que eu ainda precisava de algum motivo pra entender o por que eu havia voltado depois de 1 ano longe de casa.
Eu já sabia que havia feito a escolha certa. Como nunca, a minha família precisava de mim. Mas ver o sorriso do meu pai seguido de um "muito obrigado por ter voltado, filha" logo após a cirurgia compensou qualquer conquista internacional.
Três meses depois veio a segunda cirurgia. Apenas 30% do tumor havia sido retirado no primeiro procedimento. E lá estávamos  nós reunidos para a outra internação. Embora o procedimento fosse mais delicado, o nosso futuro estava nas mãos de Deus. E graças a Ele outra vitória.
Decidi nomear esse episódio da minha vida como o "Dia da Cura". Afinal, não foi apenas meu pai quem ficou curado, mas o meu pequeno e confuso coração. 

P.S. Se você chegou até o final dessa postagem e o seu coração está como o meu estava, confie em Deus. A resposta que você tanto quer só pode vir dEle. Esteja sensível para ouvir Sua voz e compreender Seus sinais. Lembre-se sempre que a resposta final dEle é a melhor de todas!


terça-feira, 23 de junho de 2015

Aquele que as concorrentes falavam inglês desde criança

Não tem como não se sentir um "idiota" algumas vezes quando estamos aprendendo um novo idioma. É natural. Muita gente já passou por isso e comigo não foi diferente. Eu estava há quase 4 meses em Vancouver e não parava de procurar emprego. O inglês ainda não estava lá essas coisas, mas.... tinha que encarar. E para me animar um pouco mais, ouvi dizer, nas aulas de preparação de curriculo, que conseguir pelo menos uma entrevista era tão difícil quanto o emprego em si. Ó céus! Mas eu não desisti, com a minha pastinha na mão rodei aquela cidade. E o meu dia de "sorte" foi num shopping pertinho de casa, o Metrotown. 
Ousadamente fui em algumas lojas de grife; Michael Kors, Tommy Hilfiger, Guess, Zara, entre outras. E quando entrei no ônibus, na volta do shopping, o meu celular tocou inesperadamente. Era da Michael Kors. Michael Kors, eu falei! Era um convite para uma entrevista no dia seguinte. Nem acreditei que pelo menos a entrevista aconteceria.
Maquiagem ok, cabelo ok, roupa ok. Eu tinha estudado toda a história da loja e aprendido tudo o que era tendência na última noite. Sim, eu achei que estivesse pronta. Mas não contei com um detalhe.

Minutos antes da entrevista (não sabia que seria em grupo) vi um aglomerado de meninas na porta da loja e meu coração gelou um pouquinho. Em termos de "beleza" estava todo mundo na média. Mas toda a minha segurança desabou quando a entrevistadora começou a fazer perguntas e as garotas começaram meio que disputar quem responderia primeiro. Elas respondiam tudo muito rápido com um inglês impecável, mesmo que algumas aparentassem ser de outras nacionalidades, com certeza haviam crescido ou nascido no Canadá. Ou seja, falavam inglês desde sempre. Eu pensei comigo mesmo; "Como disputar com essa turma, meu Deus?!". 
Eu entrei em pânico quando chegou a minha vez de responder. Eu entendia todas as perguntas e sabia as respostas sobre tendência, histórico da loja, etc, e não deixei nenhuma pergunta sem resposta, mesmo a "meu modo", mas obviamente não conseguia explicar perfeitamente. Eu ouvia a minha voz e me sentia no prézinho respondendo. Que idiota hahah 
Bom, o emprego eu não consegui, como você já podia imaginar. Mas descobri que o Michael Kors mora em Montreal e faz questão de conhecer cada nova vendedora, pelo menos por Skype. Ele também tem o hábito de visitar lojas e conversar pessoalmente com as clientes para saber o que estão achando das criações dele e o que poderia mudar. Eu quase o conheci se soubesse falar inglês como "gente grande" haha mas como não aconteceu, fico feliz por compartilhar essa história aqui. Foi uma experiência estranha, difícil e engraçada e virou um episódio ..."aquele que as concorrentes falavam inglês desde criança". Se tivessem me perguntado em Português eu teria "arrasado" rs. Que azar o meu!

sábado, 28 de março de 2015

Aquele das Russas e as novelas da Globo

Logo de "O Clone" em russo
Eu nunca imaginei que fosse conhecer algum russo na vida. Pelo menos nunca encontrei nenhum no Brasil. Porém consegui conhecer até iranianos e árabes, então depois deles, qualquer nacionalidade seria fichinha rs
Bom, tive sorte de me tornar amiga de uma quando trabalhei em um hotel de Vancouver. A Kate, essa ruiva linda e especial da foto abaixo, é uma daquelas pessoas doce e esforçadíssimas, que você logo passa admirar. Nos divertíamos muitíssimo trabalhando juntas. Pense em alguém com o inglês, sendo a segunda língua, impecável, praticamente não tinha sotaque.
Neste dia da foto da praia, ela estava com uma amiga russa também e fiquei surpresa quando elas me disseram que são apaixonadas pelas novelas do Brasil. Pasmem, mas "O Clone" (2001) é umas novelas brasileiras de maior sucesso na Rússia. Ela e "Mulheres de Areia" já foram reprisadas diversas vezes. A classificação da novela é a partir dos 16 anos e passava às 19:30. O mais curioso foi ouvir as russas cantando em um português incompreensível a trilha sonora de "O Clone". Que arraso!  Elas também não paravam de contar detalhes de vários capítulos, que eu nem lembrava mais.
De acordo com o blog Mídia Interessante, as novelas já pararam até guerra e mudou reuniões de política na Rússia que daria bem no último capítulo. "O Clone" já foi exportado para mais de 80 países, aumentando assim a fama da teledramaturgia da Globo.
Eu juro que não fazia a menor ideia. E até senti um baita orgulho do Brasil rs 
Contei a história para o meu chefe turco e ele disse que na Turquia também já acompanhou várias novelas brasileiras e que os turcos também adoram. Demais!
Acabei encontrando em um blog uma chamada de "O Clone" em russo, É bem engraçado ouvir a dublagem da Jade. Neste canal do youtube dá para assistir também vários capítulos em russo. Tinha que compartilhar com vocês: 

"

Aquele da Saudade


Já se passaram quase 4 meses que tomei umas das decisões mais difíceis da minha vida: voltar de Vancouver. Sim, confesso que a minha ida foi exatamente do mesmo jeito. Chorei o vôo inteirinho, incluindo o de conexão, tempo de espera entre um vôo e outro nos Estados Unidos. Eu mal conseguia falar com a minha família, quando liguei de Chicago. Com a voz embargada fingi para os meus pais que eu tinha feito uma viagem ótima. Foi difícil pegar o táxi sozinha do aeroporto e ir para a casa de estranhos. Mais estranho ainda me sentar com eles na mesa e começar a chorar na minha primeira refeição. Eu tinha certeza que eu não iria conseguir ficar longe da minha família.
Mas confesso que Deus, o tempo, a cidade e todas as experiências maravilhosas que tive me fizeram aguentar firme e superar muito mais do que podia imaginar.
Eu já tinha ouvido falar que não era fácil se adaptar no país de origem depois de um intercâmbio. Eu não tinha ideia de como seria isso, mas vou ser honesta e dizer que dói muito. Dói, porque 1 ano longe te faz criar muitos e muitos vínculos. Te faz entrar em uma nova vida e assumir uma nova rotina.É engraçado que eu vivo encontrando pessoas na rua que me lembram algum cliente dos lugares que trabalhei ou até mesmo amigos de lá, eu tento olhar bem o rosto para ter certeza de que é apenas a minha imaginação.

Eu não tive só dias de flores em Vancouver. Não. Eu chorei muito lá. Tive trabalhos que, mesmo sendo honestos, eu odiei, mas precisei não olhar para isso se queria mesmo continuar no país. Chorei também muitas e muitas vezes no caminho entre a minha casa nova e a estação de trem, enquanto seguia cedo para a escola. Chorei nas aulas que tínhamos que falar sobre a nossa família. E chorei mais dezenas de vezes no Skype. Realmente, não foi fácil.

Quando comecei a trabalhar conheci uma porção de gente querida. E a cada novo trabalho, mais um novo nome na agenda do celular. A cada ida a uma aula, um novo rosto no meu facebook. E eu fazia amizade até quando ia fazer compras. Mas amizade mesmo, de combinar e sair outras vezes para um café. Eu sinto falta de coisas muito simples. Saudade de andar na praia sozinha e também rodeada de gente depois do trabalho. Saudade de correr para não perder o trem. Saudade de ir ao mercado e depois voltar a pé para casa, pensando na vida. Saudade de pegar um chocolate quente do Tim Hortons. Saudade de andar de bike no Stanley Park. Saudade de faltar a aula no fim da tarde e comer no IHOP. Saudade de conversar com gente de tudo quanto é canto do mundo. Saudade de conhecer lugares parecidos a cenários de filme. Saudade de colocar o fone de ouvido no último volume e andar pela Main. Saudade de descer a Granville e também de ir ao Fly Over só para ter a sensação de viajar o país inteiro em uma sessão de 20 minutos. Saudade de caminhar no Canadá Place e viajar no tempo como no meu segundo dia na cidade. Saudade do anoitecer. Saudade do voley até as 10h da noite na Kitsilano Beach. Saudade da cidade colorida e também em preto e branco.

Saudade das minhas saudades. Saudade de pensar que tudo parecia um sonho. Eu caminhava sem acreditar que tinha conseguido fazer a viagem. Pela primeira vez na vida senti orgulho das minhas escolhas, mais do que qualquer outra. Que saudade do meu Canadá. Eu me apaixonei por lá, já está gravado no meu coração. Vancouver me fez me sentir viva como nenhum outro lugar. Me fez acreditar nos meus sonhos e viajar nas minhas mais doces lembranças. E acredito que agora, mesmo com o coração cheio de saudade, é o que ainda mantém a chama acesa para os meus sonhos. Para continuar intensamente a caminhada em busca do novo, do desafio de coisas imensuráveis. Obrigada, Canadá!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Aquele dos "pobres" árabes #SQN

Se tem uma coisa que árabe tem (além de muitas outras rs) que eu não tenho é DINHEIRO! E sequer posso comparar o meu humilde bolso com esse povo do Middle East. Falando sério, eles tem muitoooooo dinheiro! Eles não vem para o Canada para fazer um cursinho de inglês. Não! Eles vem para fazer "o curso", o college, a universidade, a pós, o doutorado. Sim, eles vem para passar uma vida estudando. E a distância da família não é problema algum. Eles podem visitá-los tranquilamente a cada 6 meses, nas ferias escolares.
Eu andei pesquisando o preço das passagens até o Oriente Médio. A bagatela sai quase 2 mil dólares. Mas, como falei, dinheiro tem de sobra. Tão de sobra que, além de eles ja terem suas fortunas - patrocinadas pelos pais - o governo saudita ainda dá um bom incentivo financeiro para seus pupilos estudarem no exterior. Sim, é muito grana. E é óbvio que eles não precisam trabalhar nem pegam permissão para isso.
Você que está lendo esta postagem pode até ser rico, mas duvido muito que seja como um árabe! A gente costumava brincar que eles tinham petróleo no quintal de casa e eles só riam. Eu ainda tenho minhas dúvidas, mas ok.
Alguns dos Mohammads que conheci gostavam de ostentar, outros eram mais modestos. Um era tão simples que usava quase a mesma roupa forever. Um outro só queria ir nos restaurantes mais tops de Vancouver. Quanto eu, nos "Mcs" da vida. Omigod!
Mas esse que era "simples" tem uma casa com 20 quartos na Árabia Saudita. Sim, escrevi 20, mas talvez nem tenha contado com os quartos dos empregados. Não. Muito provavelmente os empregados deveriam ter uma casa só pra eles. Era gente na familia que nao acabava mais. A casa comportava todos os irmaos dele por parte das duas esposas do pai. Sim, além de milionario ainda tinha 2 mulheres hahah
Outro árabe que conheci na praia me contou que viajou para Rocky Mountains (um passeio sensacional para algumas das mais bonitas montanhas da Columbia Britânica) três vezes em menos de 1 ano. Só porque ele queria ver as montanhas em diferentes estações do ano. Quanto eu, fiquei 1 ano no Canadá e a grana não sobrou para tal viagem. E olha que eu trabalhei.
Vida de árabe é bem dificil. Conheci uma arabe que tinha uma cara de brasileira, diga se de passagem, todo mundo perguntava. Mas só cara, pense numa bichinha rica. Ela morava num apartamento com as primas atras da escola, num dos pontos mais caros da cidade e com uma vista invejavel. Ah, ela morava com as primas e tinha vindo com um primo. Mulheres arabes nao podem viajar e morar tao soltas assim.Outra coisa que sauditas não podem fazer é dirigir. Embora não exista nenhuma lei na Árabia Saudita que as proibam, definitivamente, o volante não as pertencem. Até achei um vídeo gravado por um próprio árabe cantando o lamento da mulherada: "No woman, no drive" (Não mulheres, não dirijam!).
Mas, pensa comigo, quem quer saber de dirigir quando se pode bancar motorista particular pra cima e pra baixo? Além dos homens fazerem questão disso, o combustível é vendido a preço de banana. Ah, eu não ligaria mesmo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Aquele da "Rede de Prostituição"

O título pode parecer estranho, mas a culpa é das novelas (da Globo rs) que faz muita gente acreditar que qualquer proposta de trabalho no Exterior pode ser para se prostituir haha Quem ai já comentou com os pais que gostaria de estudar fora e eles ficaram bem desconfiados? 
Photo Credit: JONETSU photography
Brasileiro sempre vai desconfiar de qualquer intenção boa demais pra ser verdade! Comigo aqui não foi diferente. No meu primeiro trabalho conheci uma garçonete européia, muito bonita, diga-se de passagem. Cabelos longos pretos e um olhão azul que até nos intimidava com o jeito dela rs Embora nao aparentasse devia ter uns 40 anos. No nosso primeiro contato ja ganhei um elogio e a curiosidade de qual país eu era. Depois outras perguntas vieram sobre porque eu trabalhava lá, se eu precisava de mais um emprego, etc. Até que um dia ela disse que eu era muito bonita (nem tanto rs) e que deveria trabalhar na agência dela. Ih esse negócio de agência dá logo medo. O pior era o jeito que ela falava com um ar de mistério. Entao tive a certeza que se tratava de uma "Rede de Prostituição" em Vancouver! hahah Os canadenses que me perdoem por tal pensamento, mas não tem como pensar em algo diferente, sendo eu uma típica brasileira.
E para aumentar a minha desconfiança, a européia sempre me falava de um tal treinamento que nunca acontecia. Eu queria meio que "pagar pra ver". Com o meu faro jornalístico tinha certeza que descobriria "um furo" em breve rs
Um dia o tal treinamento aconteceu. E para minha surpresa fui treinada no hotel mais caro de Vancouver por um grande mestre. Quando vi aonde estava, me senti tão privilegiada e ao mesmo tempo, envergonhada por um pensamento tão ... "brasileiro". 
É óbvio que eu não podia perder a chance e perguntar para a européia quanto eu teria que pagar pelo treinamento. Afinal, sai maravilhada com a aula de etiqueta que tive. Mas ela me disse que era totalmente free. Então, tentei explicar que no meu país, a gente desconfiaria de coisas assim. Pacientemente e com muita simpatia, ela apenas respondeu; "It's Vancouver, man'am"! (Isso é Vancouver, madame!). E é mesmo. Ainda bem que Canadá não é Brasil!

Aquele do "Yes, I do speak Farsi"


Nunca me senti tão iraniana na vida desde que cheguei à Vancouver. Sim, a cada novo contato a pergunta seguida de confirmação é a mesma: "Você é iraniana, né?". E quando não é a pergunta é a sensação de que todos ao meu redor realmente acham que sou iraniana. E porquê tenho esse feeling? Bom, ganho um sorriso todas as vezes que vou ao shopping e encontro alguém com burca ou sem e que é do Irã, Tipo: "Oi, conterrânea!" rs Até o pai do meu chefe, que é iraniano, se confundiu e fez a tão esperada pergunta. Como o meu chefe turco também fala farsi já ouvi alguns clientes perguntarem a ele se também sou iraniana. Oh gosh! Ah, teve um dia que sai com uma senhora iraniana e durante o nosso café conversamos sobre assuntos que eu não estava tão familiarizada ainda em inglês. Então foi um pouco difícil a nossa conversa. Até que um senhor canadense da mesa ao lado reconheceu o sotaque dela e começou a dizer que já tinha visitado muito o Oriente Médio. Depois ele disse que sem querer tinha ouvido a nossa conversa e estava curioso pra perguntar porque a gente não estava falando em farsi. Já que aparentemente seria mais fácil. Pois é, realmente seria, se eu soubesse o tal idioma.

Enfim, mas o episódio que marcou mesmo foi um dia na rua pedindo informação. Eu tinha um hábito terrível de responder com "yes" tudo que eu nao entendia em inglês. Era uma maneira de dizer que eu estava entendendo tudo. O problema foi que abordei um iraniano para me ajudar a chegar a um endereço. No meio da informação, ele soltou; "Are you persian?". Eu nao entendi que isso significava "Você é persa/iraniana?". Então, logo disparei o meu YESSSS! E pra piorar eu estava usando um lenço bem Midle East. Ele até me elogiou e repentinamente mudou o idioma, começou a me dar as informações em FARSI! Oh, my goodness. Totalmente minha culpa! Até então não tinha entendido, mas de repente vi que o meu entendimento de inglês estava péssimo. Óbvio, quem estava falando inglês ali? Foi então que percebi o meu mistake (erro) e desesperada por uma "Tecla Sap", o avisei que tinha confundido a pergunta dele e tudo voltou ao normal, ou melhor, ao inglês. Bom, o meu conselho é: Nunca diga YES sem ter certeza do que está afirmando rs.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Aquele do Ônibus

Vancouver é mesmo uma Torre de Babel. Em qualquer lugar que você esteja o Inglês não será a única língua a ser ouvida. E pra ser bem realista, muitas vezes eu sequer ouço Inglês, principalmente dentro do transporte público. Pretendo ainda tirar uma foto em algum ônibus com pessoas de diferentes nacionalidades pra vocês perceberem o que é esse multiculturalismo que nos cerca.
Por enquanto tudo o que consegui foi flagrar esse grupo de indianos. Tentei ser discreta o quanto pude, mas era difícil não chamar atenção em pé no ônibus, com um refrigerante de 2 litros na mão e uma pizza (hora do almoço rs). Quando vi a cena, logo me senti na Índia e parti pra capturar o melhor ângulo, tentando nem olhar para câmera e fingir que eu estava apenas trocando a bateria. Por algum motivo esses indianos mais velhos sempre ficam com os olhos fixos em todos ao redor deles. Portanto cada movimento meu foi previamente calculado, mas não tão discreto como imaginei. Tanto que só consegui a foto ideal faltando um ponto pra eu descer e quando chequei fiquei surpresa com a imagem que saiu; não é que eles "posaram" e até deram um sorriso pra foto? Simpáticos, não? Adorei!

Aquele do vestido bonito e o convite do Indiano


Adoro vestidos e finalmente posso usá-los, já que agora é verão em Vancouver!! Eba!!! Mas eu nunca imaginei que esse vestido fosse me colocar em troubles (apuro)! Comprado recentemente em uma liquidação, ele esta sendo útil em algumas entrevistas de emprego rs
Um belo dia com o resumé (cv) em mãos decidi explorar todos os restaurantes ao redor da English Bay (uma linda praia que fica a poucos minutos do Centro). Até que tive o azar de entrar em um Bistrô Indiano. Não tenho nada contra os indianos, mas sinto que eles me perseguem em todas as partes do mundo haha.
Diga-se de passagem o Bistrô era lindo, mas só me dei conta de onde estava entrando tarde demais. Eu li o nome; Indian Bistrô no meio do restaurante, dei 3 passos pra trás e pensei em escapar antes que alguém chegasse pra me atender mas.... não deu tempo. Logo veio o dono do restaurante me cumprimentando em alto e bom som! Com um sorriso no rosto me fez a pergunta que eu não esperava; "Uau! De que parte da Índia você é?" (Na maioria das vezes o Irã é o top 10 das perguntas, mas ultimamente devo estar parecendo uma indiana kkkk).
"No, no, I'm brazilian!". Expliquei que estava a procura de emprego, já com uma ponta de arrependimento. Ele me convidou para tomar um café que acabou virando chá! E vale dizer; o pior chá da minha vida! Eu nem queria sentar, mas não tive muita escolha. Ele devia ter uns 45 anos, me fez 100 perguntas sobre a minha vida, mais pessoal que profissional. Tava na cara que era uma furada, emprego que era bom nada. Apesar que, na altura do campeonato, eu nem queria mesmo um job!
Estava um lindo dia de sol e aquele chá quente e sem graça que lembrava bem aquela água meio acinzentada do arroz quando a gente lava. Deu pra ter uma ideia do apuro? E a xícara era do tamanho de um copo grande, só pra piorar minha situação.
Quando ele viu meu endereço no curriculo, disse que conhecia, afinal ele morava SÓ a 2 quadras da minha casa. Pense no azar! Preciso ter um fake resume para esses momentos embaraçosos, ne?
Conversa vai, conversa vem, me aparece cerca de 4 jovens indianos na mesa, próximos a minha idade. Pensei que essa fosse a hora de me livrar, só que não... Eram todos.. indianos, é claro! Fiquem em dúvida se eram filhos ou funcionários. Começaram a conversar e o dono só apontava pra mim. Como falavam em indiano obviamente não entendi nada rs Mas na minha tradução mental era; "Não me incomodem, estou conversando com ela. Não estão vendo?! Voltem para cozinha"! Hahah juro que parecia isso, quem vai saber?
A hora que mais temia veio minutos depois; "Você precisa praticar seu inglês, sabe disso ne? Deveria ter um namorado aqui!!!". Ok, 54 mil pessoas já me deram esse conselho, mas ele, com certeza, não seria o felizardo!
Enfim, tentei escapar como pude, desconversei, e por ultimo ele me perguntou; "Quais os seus planos pra amanha a noite?" Eu bem pensando que teria algum treinamento para o tal futuro e claro, ilusório job! Rs Quando ele disse; "Vem aqui por volta das 8h amanha e vamos jantar em algum restaurante da cidade!!!!" What????? Oh my goodness!!! Como sair de uma furada dessa? Foi difícil, ele me fez salvar o numero dele e no dia seguinte agradeci o convite do jantar por mensagem e Bye Bye. Ainda tentou me convidar mais duas vezes, mas nunca mais dei sinal de vida.
Sai do restaurante meio atordoada ainda, morrendo de vontade de rir da situação, porque quem me conhece já deve imaginar todas as caras e bocas que fiz e como entrar numa fria dessa é muito a minha cara! hahah
Para encerrar a noite, depois de todos os restaurantes visitados, um senhorzinho me parou na rua e me perguntou de onde eu era. Eu, toda sem graça, respondi que era do Brasil e ele disse bem alto; "Então tá explicado de onde vem tanta beleza"! haha E me encheu de elogios. Ai eu não aguentei, cai na risada. Porque eu já estava querendo rir desde o indiano e esse senhorzinho era muito vovô! haha Emprego mesmo, não consegui, mas ganhei boas histórias pra contar!

sábado, 24 de maio de 2014

Aquele da Neve

Não é tão comum nevar em Vancouver, mas acabei dando sorte (sem ironia) e vi a cidade ficar branquinha por quatro vezes! Por ser difícil descrever como as ruas ficam, decidi fazer um videozinho. Assim viajamos juntos! Enjoy it!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Aquele do Feijão Árabe

Fassulha
Dia desses almoçando com dois irmãos árabes da escola eles me perguntaram sobre a comida mais comum no prato do brasileiro, sem dúvida; o arroz e o feijão! Curiosos para saber o que era esse tal de beans (feijão), fizeram uma busca na internet e logo o nome em árabe surgiu; fassulha. A parte engraçada e no mínimo estranha pra gente surgiu minutos depois... Eles disseram o quanto adoram o tal de beans e que comem quase todos os dias ... no CAFÉ DA MANHÃ!!! Isso mesmo! Quando ouvi isso apenas disse; "For breakfast???" Eles responderam; "Claro! Vocês não fazem o mesmo?" Quando contei que o nosso era servido no almoço ou na jantar eles fizeram exatamente a mesma cara que eu e você fizemos ao saber disso!! rsrs
A nossa culinária tem várias influências e a cada dia me surpreendo. Eu não era muito fã de repolho até experimentar um em um restaurante mediterrâneo com um toquezinho de leite de coco. O Cabbage simplesmente tem um sabor muito melhor.
Champorado
Eu adoro arroz doce, mas arroz doce de chocolate eu nunca tinha visto. Um dia a família filipina que me hospedou fez pra mim. O Champorado filipino é bem gostoso, mas acho que se fosse feito com os nossos ingredientes seria mais saboroso, porque apesar do leite condensado ele não fica doce como se imagina. Enfim, de todo jeito vale a pena experimentar!
São tantos hábitos diferentes, por exemplo, os asiáticos andam com uma garrafinha térmica pra cima e pra baixo com água quente ou pra misturar com o chá ou beber pura durante o dia. Outra coisa diferente é que não tem pizza doce aqui! (buaaaaaaaaaa). Nem horário de almoço longo. Normalmente os canadenses almoçam bem rápido, tem apenas o tempo necessário de comprar alguma coisa e levar pra viagem, nada de passar uma hora almoçando com as amigas e esperando a sobremesa (Imaginem, essa é a melhor parte do dia!).
Mesa de Natal
No meu natal, por exemplo, tinha uma mesa farta com comida de vários tipos, mas não tinha peru nem panetone! É a primeira vez que passo um Natal sem panetone e uvas na mesa. Os filipinos dão muito valor ao Natal. Eles fazem questão de cozinhar/comprar muita comida, porque na cultura deles quanto mais se come/ou se tem na mesa representa  mais "bênçãos" para o decorrer do ano.
Enfim, não tenho paladar tão apurado para experimentar sabores diferentes, mas pra quem gostar de fazer isso vai adorar conhecer todos os restaurantes que existem por aqui. Na próxima postagem vou falar de uma iguaria asiática que foi parar na mesa de um amigo, quero ver quem vai ter coragem de experimentar! rs

Aquele da Sabedoria Chinesa

Se tem uma cultura que é digna de admiração é a asiática! A lista de qualidade é bem longa; disciplina, persistência, competitividade, inteligência, etc. Eles são conhecidos por serem caladões, mas enquanto estão quietos a mente está trabalhando e quando menos se espera eles oferecem ideias brilhantes. Aliás até no silêncio deles aprendemos a como nos portar.
Eu tive a sorte de trabalhar com uma chinesa no meu primeiro trabalho aqui. No começo achei que era puro azar logo uma chinesa! (Olha o preconceito!) Acho que é porque quando vejo um chinês aqui logo lembro dos pasteleiros chineses em SP. Eles adoram falar mandarim/cantonês entre eles na frente dos clientes ( essa foto define bem a vontade que eu e meio mundo de gente adoraria fazer rs ). Mas hoje eu entendo perfeitamente o quanto é mais confortável falar a nossa língua materna.
Enfim, quando conheci a Linda a primeira coisa que fiz foi dizer o que significava em português o English name dela. Muito tímida, ela apenas deu um sorrisinho meio incrédulo, talvez imaginando que eu estivesse tentando agradá-la logo no meu primeiro dia! Ah, é muito comum os asiáticos adotarem um nome inglês devido a difícil pronúncia do nomes deles.
Linda é simplesmente uma das pessoas mais dispostas que já conheci na vida! Ela deve ter uns 50 anos, mas eu não faço ideia de onde vem tanta força. Eu preferia nem fazer as coisas perto dela, porque enquanto eu estava na primeira tarefa, ela já devia ter feito umas 20 iguais. E no final era eu quem me sentia mais velha, porque enquanto eu parava um segundo, ela logo me perguntava se eu estava cansada rs (Cansada? Quase morta já!, mas é claro que eu não podia demonstrar fraqueza rs).
Em nossos curtos diálogos Linda me ensinou algumas pérolas. Ela disse que na China os patrões não costumam dizer todas as atitudes que um funcionário deve ter, porque seria como se eles estivessem "putting money in your pocket" (colocando dinheiro no seu bolso). Esse provérbio chinês lembra todos os outros que já ouvimos.
Uma vez perguntei a ela como funciona a permissão para ter filhos na China, porque ela teve 3 no Canadá. Se fosse no país dela isso não aconteceria. Isso porque a China tem um sistema rigoroso para controlar o nascimento de crianças, é permitido apenas uma por família. No entanto, desde o finalzinho do ano passado a Política do Filho Único abriu uma exceção; agora casais podem ter dois filhos, contanto que um dos pais seja filho único. Para nós brasileiros isso parece muito estranho, mas essa regra impediu 400 milhões de nascimentos desde 1980! Se de alguma forma esse número fosse no Brasil provavelmente não teriam tantas pessoas em condições de rua, crianças com fome, famílias em total miséria, índice alto de jovens na criminalidade e por aí vai... Claro que poderia não ser tão radical, mas enfim ajudaria bastante.
O governo apoia os estudos para o filho único, mas o filho que "sem querer" nasceu a mais, esse já não tem direito. E quando o governo descobre que existe mais um, a família é obrigada a pagar uma multa de até 6 vezes a renda anual familiar.
Mesmo sem graça, acabei contando que no Brasil é bem comum famílias sem condições alguma continuarem a ter filhos. Percebi o ar de reprovação na mesma hora, então voltei ao assunto da China e insistente perguntei; "E se a família não tem como pagar a multa pela segunda criança?". Enfática, ela simplesmente me respondeu; "If you don't have money, don't have kids!" (Se não tem dinheiro,
então não tenha filhos). E não é que ela tem razão?

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Aquele do Atum Nosso de Cada Dia

Meu Super Kit
Atire a primeira pedra quem nunca jogou fora a comida da Homestay! Rs Eu já estava tão profissional que quando jogava nem deixava mais rastros rsrs Outra "técnica" que eu usava era dizer que estava cheia quando eu via alguma comida estranha na mesa, aí comia só um pinguinho pra não fazer desfeita e atacava meu estoque de pães e bolo no meu quarto! O quê? Vocês pensavam que eu ia dormir com fome??? Só enquanto eu ainda não conhecia as Delicias do SafeWay (um dos mercados mais caros por aqui, mas a padaria deles é a melhor de todas e nessa parte o preço vale a pena!). Comecei a estocar comida e também a detonar o Super Kit de passatempo, bis e outras "coisinhas" que a minha mãezinha tinha montado. E diga-se de passagem, eu o trouxe bem escondidinho no fundo da mala. Pena não ter durado tanto!
As opções de comida estavam cada vez mais limitadas. Optei por fazer um pacote com o almoço incluso (que arrependimento!). Todo dia era uma surpresa (na maioria das vezes ruim). Um dia a dona da casa mandava um frango cheio de pele, no outro uma carne de porco esquisita (odeio), e no outro alguma coisa provavelmente bem estranha...
Renata e o tal lanche

Ah, fora uma sopa de milho doce que tomei aqui.  Sim, o milho verde daqui é naturalmente doce. E um detalhe, quando você pensa em sopa de milho, você imagina ele batidinho, não uma espiga boiando na água ao lado de uma coxa de frango exatamente igual, ne? Ih, acho que agora dá pra ter ideia do que passei por aqui rs
Louca por uma luz no fim do túnel resolvi dizer que gostava de tuna (atum) e lá fui eu comer atum por quase 60 dias!!!! haha Era atum no macarrão, atum no sanduiche, na sopa e em tudo que você imaginar!!
Macarrão sem molho
E quando eu achava que a minha vida era difícil comecei a reparar as comidas que davam para as minhas amigas. Essa da foto é a Rê, ela estava hospedada na casa de uma chinesa. Eu tive que registrar o sanduiche um tanto estranho que ela ganhou de almoço. Outra amiga que sofreu muito com a comida foi a Raquel. Durante 3 meses ela comeu frango quase todos os dias na casa de uma família de indianos. Nesse dia da foto, por coincidência, ambas levamos macarrão. O meu estava encharcado de molho e quase sem macarrão, já o dela amarelão. Então resolvi colocar um molhozinho no dela hahha Claro que eu não podia deixar de registrar isso. Sabia que seria mais uma historia pra contar, mesmo não sendo nada boa. Uma coisa que aprendemos no dia a dia daqui é compartilhar. Na escola era um troca troca na hora do almoço. Como a gente dava azar com a nossa comida! Acho que essa era a hora mais triste por aqui.
Bom, eu adorava atum, mas depois dessa "longa dieta" não suporto nem o cheiro. Quem for meu amigo não me ofereça, hein? Rs

Aquele do Recado Canadense


No primeiro dia de aula o coordenador da escola reuniu os novos alunos para explicar as regras por aqui, entre elas, o horario! Ele logo perguntou se tinha algum brasileiro, fez um tom sarcastico e disse que o aviso era principalmente pra gente haha.
Isso me soou bem familiar já que uma semana antes eu passei um apuro daqueles. Como eu disse, eu não conhecia ninguém ainda, então decidi explorar a cidade sozinha. Tinha ganhado da agência de intercambio um bilhete do Big Bus (ônibus de turismo que apresenta os pontos da cidade), era a única alternativa pra não ficar em casa (chorando...).
Apesar dos 2 graus que fazia, acordei bemm cedo no dia e fui encarar o tal Big Bus. No ônibus só uma família de asiáticos e eu sem entender muita coisa que o motorista dizia. Bom, depois de quase meia hora rodando pela cidade fizemos a nossa primeira parada no Stanley Park (o terceiro maior parque da América do Norte). O Parque é realmente lindo, mas pense em um lugar gelado! O motorista nos deu 10 minutinhos pra olharmos e voltarmos para o Bus. Eu juro que tentei não me atrasar, me distrai gravando um videozinho, mas percebi que não conseguia falar direito, meu rosto parecia congelado hahah uma sensação muito estranha e engraçada. Nisso perdi um pouquinho de tempo e quando voltei, juro que não me atrasei mais de 2 minutos, cadê o ônibus e os asiáticos??? Eu não podia acreditar, mas fui deixada para trás!!! Por 2 minutos!!! A sorte que eu achei um ônibus comum e peguei uma carona ate o centro de novo. Nem preciso dizer que esse foi o passeio mais sem graça que fiz aqui, ne??
Era apenas o meu terceiro dia no país e rapidamente eu entendi o recado canadense; Não se atrase jamais!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Aquele do Melhor Lugar de Vancouver

Eu poderia ter escolhido qualquer outra cidade do Canadá que tivesse mais nativos. Entre as opções estavam Banff, Whistler, Calgary, etc. Mas eu não quis, porque em nenhuma delas tem a minha segunda casa; a Igreja Universal / UCKG (Universal Church of Kingdom of God)! Para os mais descrentes pode parecer algum tipo de religiosidade. Mas isso não tem nada a ver. Se você gosta muito de uma coisa, você faz de tudo para ficar mais longe ou perto dela? Foi assim que decidi. Seria impossível ficar 8 meses longe, de alguma maneira, das coisas de Deus. Já está no meu sangue, como tirar? Você pode orar em casa? Pode. Pode ler a Bíblia e entende-la sem a ajuda de um pastor? Pode. Mas como ficar longe da Casa do Pai? Existem dias que você precisa, necessita mais do que tudo, de ouvir uma palavra de fé e aí não tem jeito, você precisa estar no lugar ideal para que isso aconteça. É questão de prioridades. Desde que cheguei aqui não tem sido fácil, mas posso dizer que se não fosse o apoio que eu recebi na UCKG eu já teria desistido.
Só tem uma Igreja em Vancouver e olhem o quanto Deus preparou esse nosso encontro; ela fica apenas 15 minutos da minha casa! Nem preciso dizer o quanto me sinto privilegiada.
Eu cheguei em uma segunda-feira (16 de dezembro) e na terça segui à procura do número 3475, Kingsway. Eu estava ansiosa pra achar esse endereço. Como não sabia que estava mais perto do que imaginava, andei quase 1 hora, mas finalmente achei. E digo que foi um alívio, uma mistura de felicidade e confirmação de que essa era a melhor parte da viagem.
O primeiro culto que assisti foi bem diferente do que imaginei, apesar de ser praticamente a mesma reunião feita no Brasil. O pastor era brasileiro, mas a reunião era em inglês e os membros de diferentes lugares; Angola, Zâmbia, Montreal (lado francês do Canada), México, Inglaterra, Filipinas, India... Eu estava acostumada a me sentar ao lado de mais de 6 mil pessoas em um culto de domingo. Para minha surpresa, aqui me sentei com mais 12 pessoas. Foi bem diferente. Mas ainda me emociono de alguma maneira, porque independente de qualquer coisa, nada disso importa. Vejo a mensagem de Deus sendo levada a corações que buscam o que era desconhecido até então. E cada vez que entro na Igreja vejo nitidamente o plano que Deus tem na vida de cada um. Muitas dessas pessoas ainda não tem dimensão do que Deus pode fazer na vida delas. Eu também não tinha. Mas Deus, na sua infinita graça, me escolheu e me chamou para ser um instrumento na Obra Dele. Não por méritos, mas por misericórdia. E eu serei eternamente grata a Ele.
A evangelização aqui não é nada fácil. Quando você aborda as pessoas na rua, algumas devolvem o panfleto e dizem; "Mas eu nem acredito em Deus!". É muito triste. Você vê muitos jovens como morador de rua, gente que tinha e tem tudo pra ter uma vida melhor, mas estão dominadas pela ação do mal. Enfim, não vamos desistir. E mesmo com as limitações do idioma, agora me sinto mais confiante para falar um pouco mais. Quando abordo as pessoas consigo dar razoes a elas pra buscarem a Deus. E isso não tem preço!
Pouco a pouco novos membros estão chegando. Agora estamos com um pastor e a esposa portugueses. Todos os dias são novas experiências por aqui. Estamos com uma escolinha para as crianças na Igreja e elas tem aprendido muito sobre a Palavra de Deus. São apenas pequenas sementes sendo plantadas nesses coraçõezinhos.
Enfim, estou muito feliz! Eu já me sinto em casa e agora eles também são minha família aqui!
Gente, agora esse é o novo endereço da IURD em Vancouver: 6672, Main Street com 51 Avenue.

Aquele do "Batismo Canadense"

Eu cheguei no país uma semana antes de começar as aulas, por um lado foi até bom, porque eu estava muito cansada, mas por outro, o que fazer sem conhecer absolutamente ninguém na cidade?
No mesmo dia que eu cheguei a dona da casa me ensinou a usar o transporte público aqui e me deu algumas dicas. Mas foi tudo a noite e eu nem entendi tudo tão bem. Dei sorte em ficar apenas uns 8 minutos andando de uma estação da SkyTrain (metrô). 
No meu segundo dia eu precisava realmente dar uma volta, era impossível ficar no quarto sozinha. Então fui me aventurar pela cidade, olhava as paisagens pelo metrô e decidia descer nos lugares mais bonitos. Consegui ir até agência e ainda chegar à escola, só pra conhecer o caminho. Almocei na rua e quando não sabia direito qual ônibus pegar pedia informação. Ah, quando eu não conseguia me expressar direito em inglês partia para o espanhol. Claro que só podia falar em espanhol  com aqueles com cara de peruanos, então todos que lembravam um hispano eu atacava. Massss, cometi um grande erro. Não sabia que Vancouver era dominada pelos filipinos haha Então, quem achava que era hispano, na verdade, era FILIPINO haha E quando as pessoas me diziam que não falavam espanhol eu até achava que estavam mentindo, escondendo suas raízes. Como pode??? Ou seja, paguei alguns micos por aqui. Ainda bem que estava sozinha! rs
O meu primeiro dia foi bem intenso, rodei a cidade sem errar nenhum caminho. Até descer na estação de casa e não acertar minha rua. Andei meia hora na escuridão (eram apenas 6h da tarde e já parecia 10h), algumas pessoas até tentavam localizar minha rua pelo celular, mas eu não entendia direito as explicações delas rs  E o pior, eu não tinha anotado o telefone da família. Ate que decidi pegar outro ônibus e voltar pra estação novamente, até entender o que tinha feito. Simples; sai do lado oposto da estação! Nem acreditei que era só isso. Depois conversando com alguns amigos entendi que todo mundo se perde no primeiro dia, enfim, isso faz parte do "batismo canadense" rs

Aquele das Primeiras Impressões

Sai do aeroporto e fui à caça do táxi. Entre tantas opções adivinhem em qual entrei? O de um indiano! Eu não tenho nada contra, mas é que eles me perseguem haha E o pior é que eu quase não os entendo! Ah, e ainda acho muito estranho aquele turbante que eles usam. Agora já me acostumei, pois é o que mais vejo por aqui.
Enfim, ele dirigia como um maluco, freava em cima dos carros e eu só dizia; "Slow, please!" e pensava; "Poxa, não posso morrer no meu primeiro dia aqui, né?" hahah No final das contas, consegui chegar na Homestay (tipo de hospedagem em casa de família canadense ou não, portanto que tenha o inglês como língua principal na casa). Ah, e o indiano ainda ficou com 10 dólares a mais, eu nem pretendia dar tudo isso de gorjeta, mas tudo bem (que mão de vaca, eu sei! rs).
O tempo estava bem fechado aqui, afinal já era inverno. Bem diferente pra quem tinha acabado de sair de um super verão no Brasil! As folhas secas das árvores lembravam cenas de filme, mas as casas não eram tão bonitas quanto as que já tinha visto nos EUA. E pra piorar escurecia a partir das 4h30 da tarde, simplesmente muito estranho para nós brasileiros.

Bom, como grande parte dos estudantes aqui, fui recebida por uma família de filipinos. É o que a gente mais ouve aqui. Gostei muito deles, só a casa e a comida que deixaram a desejar. E como eu ainda não estava "curada", na primeira refeição na casa desandei a chorar rsrs Sim, eu fiz isso! Foi tudo muito estranho, não sei o que houve comigo, não foi pelo arroz sem sabor e nem pelo frango esquisito hahah foi realmente uma pontada de SAUDADE. Aquela não era minha família, a minha casa nem a comida da minha mãezinha. E eu só estava longe de tudo isso há apenas 1 dia. Então percebi que a partir dali a minha viagem não seria tão fácil como previa ...

Aquele da gentileza

16 de Dezembro - 2013
Depois de muitas horas e uma conexão em Chicago cheguei à Vancouver. Durante a conexão conheci um casal de brasileiros do Rio Grande do Sul, eles foram super legais, me deram várias dicas e principalmente apoio rs. Não tem jeito, brasileiro é brasileiro!
Bom, eu estava exausta e ainda tinha que passar por uma fila diferente na imigração, é esse o procedimento para quem fica mais de 6 meses no país. Eles iriam fazer outra entrevista, a fila estava gigante demais para quem estava caindo de sono, afinal já era noite no Brasil. O fuso eram de 6 horas a menos. Percebi que algumas pessoas demoravam um pouco na fila e eram muitas perguntas na entrevista, mas eu nem fiquei preocupada. Eu ainda estava com o coração apertado demais que nem me importariam se me barrassem por algum motivo e me mandassem de volta para o Brasil haha Dá pra acreditar que pensei assim? Eu falei que estava triste rs. Não sei, é diferente quando você viaja de ferias, mas quando você sabe que o seu prazo é maior e que você não tem ideia das coisas que vão acontecer, você sente medo, ansiedade e alguma insegurança. Na fila eu nem conseguia ler os emails lindos que recebi, cada vez que olhava para o celular uma lágrima caia. Como foi difícil!
Quando finalmente chegou a minha vez só me fizeram 2 perguntas; o que eu iria fazer no Canadá e quanto tempo ficaria. Apenas isso! Ufa, menos mal! Bom, toda essa espera me rendeu um pouco mais de 2 horas. Quando eu sai do aeroporto cadê o meu nomezinho em alguma plaquinha? Ops, ninguém à minha espera! Uma pessoa da agencia iria me buscar, mas eu demorei tanto que ela desistiu.
Então foi a hora de usar o meu "pobre inglês" e tentar descobrir o mistério rs A Cinthia, uma amiga que tinha voltado de Toronto há pouco tempo, tinha me enchido de moedas caso eu precisasse fazer alguma ligação. Eu já estava esperta porque a Cris Voight, outra amiga viajada, sempre me lembrou de carregar os benditos coins comigo. Então fui atrás de um "orelhão" no aeroporto, quando fui pedir ajuda a um funcionário para me ajudar contar as moedas, ele simplesmente me disse; Não se preocupe, temos isto pra você; duas moedas de 25 cents coladas neste cartãozinho! Quanta gentileza nesse Canadá!
Meu inglês não estava bom, mas também não estava tão ruim assim, consegui ligar, entender que eu teria que me virar para pegar um taxi e entendi até quanto pagaria por um rs E lá fui eu pra minha segunda aventura no país ...

terça-feira, 8 de abril de 2014

Aquele da Despedida

Ontem foi um dia de muitas lágrimas, orações, abraços, presentes e muitas despedidas. Tanta gente querida me desejou boa viagem, torceu, orou, me incentivou. Minha família me acompanhou em tudo, até que dei o meu último abraço do ano e virei o corredor. Até aí estava razoavelmente bem, mas quando me sentei para telefonar, as lágrimas voltaram instantaneamente. Meu Deus, como dói! Dormi pessimamente e cá estou chorando mais uma vez enquanto escrevo. E ainda me restam pelo menos mais 7 horas de voo, contando com a conexão.
Nunca imaginei que essa decisão fosse ser tão difícil. Não sei exatamente o que vim buscar. A Rose, minha amiga, me disse isso como se estivesse lendo meus pensamentos, e é a mais pura verdade! Sei que os dias a seguir terão algum propósito. E o único lugar que quero estar é no centro da Vontade de Deus. Porque aí não tem erro.
A partir de agora VOU TE CONTAR o máximo dessa experiência!
Sejam bem vindos, torçam e orem muito por mim.
Um grande beijo

Aquele da Zona de Conforto

Eu comecei o ano com sede de um desafio. Mas não podia ser qualquer um. Tinha que ser algo que me incomodasse, eu queria um que realmente mexesse comigo, tirasse o chão dos meus pés; Foi aí que decidi sair da ZONA DE CONFORTO! Há 3 meses saí do trabalho para começar uma vida nova. Interrompi (temporariamente) minha carreira, abri mão de alguns sonhos e fui atrás do que me faltava; experiência de vida.
Deixei amigos para trás e uma família que me ama incondicionalmente. Hoje foi um dia muito difícil pra mim, talvez o primeiro de muitos. Os sonhos parecem lindos quando estão apenas na tela do computador, visualizados em paisagens exuberantes e tão vivos quando ainda contados pela experiência de outras pessoas. Era assim que me sentia alguns meses. Mas hoje é algo real, que mais me assusta do que alegra.
São 06h30 da manhã e eu estou sobrevoando alguma parte do mundo, um lugar que talvez queira conhecer um dia. Mas meu destino hoje é Vancouver, Canadá. Lugar que ficarei por alguns meses. E a minha única pergunta é; será que conseguirei? Porque o meu coração está tão partido hoje. Me despedir da família foi a coisa mais difícil que ja fiz na vida. Juro.
Eu sei que para muitos isso não é tão ruim. Mas pra mim é. Porque a minha família é a parte da vida que mais amo nesse mundo. Aos 27 anos, sou ainda o "bebê da mamãe e da minha irmã querida", sem falar a "filhinha do papai" rs Se convivessem com a minha família entenderiam completamente.