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sábado, 24 de maio de 2014

Aquele da Neve

Não é tão comum nevar em Vancouver, mas acabei dando sorte (sem ironia) e vi a cidade ficar branquinha por quatro vezes! Por ser difícil descrever como as ruas ficam, decidi fazer um videozinho. Assim viajamos juntos! Enjoy it!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Aquele do Feijão Árabe

Fassulha
Dia desses almoçando com dois irmãos árabes da escola eles me perguntaram sobre a comida mais comum no prato do brasileiro, sem dúvida; o arroz e o feijão! Curiosos para saber o que era esse tal de beans (feijão), fizeram uma busca na internet e logo o nome em árabe surgiu; fassulha. A parte engraçada e no mínimo estranha pra gente surgiu minutos depois... Eles disseram o quanto adoram o tal de beans e que comem quase todos os dias ... no CAFÉ DA MANHÃ!!! Isso mesmo! Quando ouvi isso apenas disse; "For breakfast???" Eles responderam; "Claro! Vocês não fazem o mesmo?" Quando contei que o nosso era servido no almoço ou na jantar eles fizeram exatamente a mesma cara que eu e você fizemos ao saber disso!! rsrs
A nossa culinária tem várias influências e a cada dia me surpreendo. Eu não era muito fã de repolho até experimentar um em um restaurante mediterrâneo com um toquezinho de leite de coco. O Cabbage simplesmente tem um sabor muito melhor.
Champorado
Eu adoro arroz doce, mas arroz doce de chocolate eu nunca tinha visto. Um dia a família filipina que me hospedou fez pra mim. O Champorado filipino é bem gostoso, mas acho que se fosse feito com os nossos ingredientes seria mais saboroso, porque apesar do leite condensado ele não fica doce como se imagina. Enfim, de todo jeito vale a pena experimentar!
São tantos hábitos diferentes, por exemplo, os asiáticos andam com uma garrafinha térmica pra cima e pra baixo com água quente ou pra misturar com o chá ou beber pura durante o dia. Outra coisa diferente é que não tem pizza doce aqui! (buaaaaaaaaaa). Nem horário de almoço longo. Normalmente os canadenses almoçam bem rápido, tem apenas o tempo necessário de comprar alguma coisa e levar pra viagem, nada de passar uma hora almoçando com as amigas e esperando a sobremesa (Imaginem, essa é a melhor parte do dia!).
Mesa de Natal
No meu natal, por exemplo, tinha uma mesa farta com comida de vários tipos, mas não tinha peru nem panetone! É a primeira vez que passo um Natal sem panetone e uvas na mesa. Os filipinos dão muito valor ao Natal. Eles fazem questão de cozinhar/comprar muita comida, porque na cultura deles quanto mais se come/ou se tem na mesa representa  mais "bênçãos" para o decorrer do ano.
Enfim, não tenho paladar tão apurado para experimentar sabores diferentes, mas pra quem gostar de fazer isso vai adorar conhecer todos os restaurantes que existem por aqui. Na próxima postagem vou falar de uma iguaria asiática que foi parar na mesa de um amigo, quero ver quem vai ter coragem de experimentar! rs

Aquele da Sabedoria Chinesa

Se tem uma cultura que é digna de admiração é a asiática! A lista de qualidade é bem longa; disciplina, persistência, competitividade, inteligência, etc. Eles são conhecidos por serem caladões, mas enquanto estão quietos a mente está trabalhando e quando menos se espera eles oferecem ideias brilhantes. Aliás até no silêncio deles aprendemos a como nos portar.
Eu tive a sorte de trabalhar com uma chinesa no meu primeiro trabalho aqui. No começo achei que era puro azar logo uma chinesa! (Olha o preconceito!) Acho que é porque quando vejo um chinês aqui logo lembro dos pasteleiros chineses em SP. Eles adoram falar mandarim/cantonês entre eles na frente dos clientes ( essa foto define bem a vontade que eu e meio mundo de gente adoraria fazer rs ). Mas hoje eu entendo perfeitamente o quanto é mais confortável falar a nossa língua materna.
Enfim, quando conheci a Linda a primeira coisa que fiz foi dizer o que significava em português o English name dela. Muito tímida, ela apenas deu um sorrisinho meio incrédulo, talvez imaginando que eu estivesse tentando agradá-la logo no meu primeiro dia! Ah, é muito comum os asiáticos adotarem um nome inglês devido a difícil pronúncia do nomes deles.
Linda é simplesmente uma das pessoas mais dispostas que já conheci na vida! Ela deve ter uns 50 anos, mas eu não faço ideia de onde vem tanta força. Eu preferia nem fazer as coisas perto dela, porque enquanto eu estava na primeira tarefa, ela já devia ter feito umas 20 iguais. E no final era eu quem me sentia mais velha, porque enquanto eu parava um segundo, ela logo me perguntava se eu estava cansada rs (Cansada? Quase morta já!, mas é claro que eu não podia demonstrar fraqueza rs).
Em nossos curtos diálogos Linda me ensinou algumas pérolas. Ela disse que na China os patrões não costumam dizer todas as atitudes que um funcionário deve ter, porque seria como se eles estivessem "putting money in your pocket" (colocando dinheiro no seu bolso). Esse provérbio chinês lembra todos os outros que já ouvimos.
Uma vez perguntei a ela como funciona a permissão para ter filhos na China, porque ela teve 3 no Canadá. Se fosse no país dela isso não aconteceria. Isso porque a China tem um sistema rigoroso para controlar o nascimento de crianças, é permitido apenas uma por família. No entanto, desde o finalzinho do ano passado a Política do Filho Único abriu uma exceção; agora casais podem ter dois filhos, contanto que um dos pais seja filho único. Para nós brasileiros isso parece muito estranho, mas essa regra impediu 400 milhões de nascimentos desde 1980! Se de alguma forma esse número fosse no Brasil provavelmente não teriam tantas pessoas em condições de rua, crianças com fome, famílias em total miséria, índice alto de jovens na criminalidade e por aí vai... Claro que poderia não ser tão radical, mas enfim ajudaria bastante.
O governo apoia os estudos para o filho único, mas o filho que "sem querer" nasceu a mais, esse já não tem direito. E quando o governo descobre que existe mais um, a família é obrigada a pagar uma multa de até 6 vezes a renda anual familiar.
Mesmo sem graça, acabei contando que no Brasil é bem comum famílias sem condições alguma continuarem a ter filhos. Percebi o ar de reprovação na mesma hora, então voltei ao assunto da China e insistente perguntei; "E se a família não tem como pagar a multa pela segunda criança?". Enfática, ela simplesmente me respondeu; "If you don't have money, don't have kids!" (Se não tem dinheiro,
então não tenha filhos). E não é que ela tem razão?

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Aquele do Atum Nosso de Cada Dia

Meu Super Kit
Atire a primeira pedra quem nunca jogou fora a comida da Homestay! Rs Eu já estava tão profissional que quando jogava nem deixava mais rastros rsrs Outra "técnica" que eu usava era dizer que estava cheia quando eu via alguma comida estranha na mesa, aí comia só um pinguinho pra não fazer desfeita e atacava meu estoque de pães e bolo no meu quarto! O quê? Vocês pensavam que eu ia dormir com fome??? Só enquanto eu ainda não conhecia as Delicias do SafeWay (um dos mercados mais caros por aqui, mas a padaria deles é a melhor de todas e nessa parte o preço vale a pena!). Comecei a estocar comida e também a detonar o Super Kit de passatempo, bis e outras "coisinhas" que a minha mãezinha tinha montado. E diga-se de passagem, eu o trouxe bem escondidinho no fundo da mala. Pena não ter durado tanto!
As opções de comida estavam cada vez mais limitadas. Optei por fazer um pacote com o almoço incluso (que arrependimento!). Todo dia era uma surpresa (na maioria das vezes ruim). Um dia a dona da casa mandava um frango cheio de pele, no outro uma carne de porco esquisita (odeio), e no outro alguma coisa provavelmente bem estranha...
Renata e o tal lanche

Ah, fora uma sopa de milho doce que tomei aqui.  Sim, o milho verde daqui é naturalmente doce. E um detalhe, quando você pensa em sopa de milho, você imagina ele batidinho, não uma espiga boiando na água ao lado de uma coxa de frango exatamente igual, ne? Ih, acho que agora dá pra ter ideia do que passei por aqui rs
Louca por uma luz no fim do túnel resolvi dizer que gostava de tuna (atum) e lá fui eu comer atum por quase 60 dias!!!! haha Era atum no macarrão, atum no sanduiche, na sopa e em tudo que você imaginar!!
Macarrão sem molho
E quando eu achava que a minha vida era difícil comecei a reparar as comidas que davam para as minhas amigas. Essa da foto é a Rê, ela estava hospedada na casa de uma chinesa. Eu tive que registrar o sanduiche um tanto estranho que ela ganhou de almoço. Outra amiga que sofreu muito com a comida foi a Raquel. Durante 3 meses ela comeu frango quase todos os dias na casa de uma família de indianos. Nesse dia da foto, por coincidência, ambas levamos macarrão. O meu estava encharcado de molho e quase sem macarrão, já o dela amarelão. Então resolvi colocar um molhozinho no dela hahha Claro que eu não podia deixar de registrar isso. Sabia que seria mais uma historia pra contar, mesmo não sendo nada boa. Uma coisa que aprendemos no dia a dia daqui é compartilhar. Na escola era um troca troca na hora do almoço. Como a gente dava azar com a nossa comida! Acho que essa era a hora mais triste por aqui.
Bom, eu adorava atum, mas depois dessa "longa dieta" não suporto nem o cheiro. Quem for meu amigo não me ofereça, hein? Rs

Aquele do Recado Canadense


No primeiro dia de aula o coordenador da escola reuniu os novos alunos para explicar as regras por aqui, entre elas, o horario! Ele logo perguntou se tinha algum brasileiro, fez um tom sarcastico e disse que o aviso era principalmente pra gente haha.
Isso me soou bem familiar já que uma semana antes eu passei um apuro daqueles. Como eu disse, eu não conhecia ninguém ainda, então decidi explorar a cidade sozinha. Tinha ganhado da agência de intercambio um bilhete do Big Bus (ônibus de turismo que apresenta os pontos da cidade), era a única alternativa pra não ficar em casa (chorando...).
Apesar dos 2 graus que fazia, acordei bemm cedo no dia e fui encarar o tal Big Bus. No ônibus só uma família de asiáticos e eu sem entender muita coisa que o motorista dizia. Bom, depois de quase meia hora rodando pela cidade fizemos a nossa primeira parada no Stanley Park (o terceiro maior parque da América do Norte). O Parque é realmente lindo, mas pense em um lugar gelado! O motorista nos deu 10 minutinhos pra olharmos e voltarmos para o Bus. Eu juro que tentei não me atrasar, me distrai gravando um videozinho, mas percebi que não conseguia falar direito, meu rosto parecia congelado hahah uma sensação muito estranha e engraçada. Nisso perdi um pouquinho de tempo e quando voltei, juro que não me atrasei mais de 2 minutos, cadê o ônibus e os asiáticos??? Eu não podia acreditar, mas fui deixada para trás!!! Por 2 minutos!!! A sorte que eu achei um ônibus comum e peguei uma carona ate o centro de novo. Nem preciso dizer que esse foi o passeio mais sem graça que fiz aqui, ne??
Era apenas o meu terceiro dia no país e rapidamente eu entendi o recado canadense; Não se atrase jamais!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Aquele do Melhor Lugar de Vancouver

Eu poderia ter escolhido qualquer outra cidade do Canadá que tivesse mais nativos. Entre as opções estavam Banff, Whistler, Calgary, etc. Mas eu não quis, porque em nenhuma delas tem a minha segunda casa; a Igreja Universal / UCKG (Universal Church of Kingdom of God)! Para os mais descrentes pode parecer algum tipo de religiosidade. Mas isso não tem nada a ver. Se você gosta muito de uma coisa, você faz de tudo para ficar mais longe ou perto dela? Foi assim que decidi. Seria impossível ficar 8 meses longe, de alguma maneira, das coisas de Deus. Já está no meu sangue, como tirar? Você pode orar em casa? Pode. Pode ler a Bíblia e entende-la sem a ajuda de um pastor? Pode. Mas como ficar longe da Casa do Pai? Existem dias que você precisa, necessita mais do que tudo, de ouvir uma palavra de fé e aí não tem jeito, você precisa estar no lugar ideal para que isso aconteça. É questão de prioridades. Desde que cheguei aqui não tem sido fácil, mas posso dizer que se não fosse o apoio que eu recebi na UCKG eu já teria desistido.
Só tem uma Igreja em Vancouver e olhem o quanto Deus preparou esse nosso encontro; ela fica apenas 15 minutos da minha casa! Nem preciso dizer o quanto me sinto privilegiada.
Eu cheguei em uma segunda-feira (16 de dezembro) e na terça segui à procura do número 3475, Kingsway. Eu estava ansiosa pra achar esse endereço. Como não sabia que estava mais perto do que imaginava, andei quase 1 hora, mas finalmente achei. E digo que foi um alívio, uma mistura de felicidade e confirmação de que essa era a melhor parte da viagem.
O primeiro culto que assisti foi bem diferente do que imaginei, apesar de ser praticamente a mesma reunião feita no Brasil. O pastor era brasileiro, mas a reunião era em inglês e os membros de diferentes lugares; Angola, Zâmbia, Montreal (lado francês do Canada), México, Inglaterra, Filipinas, India... Eu estava acostumada a me sentar ao lado de mais de 6 mil pessoas em um culto de domingo. Para minha surpresa, aqui me sentei com mais 12 pessoas. Foi bem diferente. Mas ainda me emociono de alguma maneira, porque independente de qualquer coisa, nada disso importa. Vejo a mensagem de Deus sendo levada a corações que buscam o que era desconhecido até então. E cada vez que entro na Igreja vejo nitidamente o plano que Deus tem na vida de cada um. Muitas dessas pessoas ainda não tem dimensão do que Deus pode fazer na vida delas. Eu também não tinha. Mas Deus, na sua infinita graça, me escolheu e me chamou para ser um instrumento na Obra Dele. Não por méritos, mas por misericórdia. E eu serei eternamente grata a Ele.
A evangelização aqui não é nada fácil. Quando você aborda as pessoas na rua, algumas devolvem o panfleto e dizem; "Mas eu nem acredito em Deus!". É muito triste. Você vê muitos jovens como morador de rua, gente que tinha e tem tudo pra ter uma vida melhor, mas estão dominadas pela ação do mal. Enfim, não vamos desistir. E mesmo com as limitações do idioma, agora me sinto mais confiante para falar um pouco mais. Quando abordo as pessoas consigo dar razoes a elas pra buscarem a Deus. E isso não tem preço!
Pouco a pouco novos membros estão chegando. Agora estamos com um pastor e a esposa portugueses. Todos os dias são novas experiências por aqui. Estamos com uma escolinha para as crianças na Igreja e elas tem aprendido muito sobre a Palavra de Deus. São apenas pequenas sementes sendo plantadas nesses coraçõezinhos.
Enfim, estou muito feliz! Eu já me sinto em casa e agora eles também são minha família aqui!
Gente, agora esse é o novo endereço da IURD em Vancouver: 6672, Main Street com 51 Avenue.

Aquele do "Batismo Canadense"

Eu cheguei no país uma semana antes de começar as aulas, por um lado foi até bom, porque eu estava muito cansada, mas por outro, o que fazer sem conhecer absolutamente ninguém na cidade?
No mesmo dia que eu cheguei a dona da casa me ensinou a usar o transporte público aqui e me deu algumas dicas. Mas foi tudo a noite e eu nem entendi tudo tão bem. Dei sorte em ficar apenas uns 8 minutos andando de uma estação da SkyTrain (metrô). 
No meu segundo dia eu precisava realmente dar uma volta, era impossível ficar no quarto sozinha. Então fui me aventurar pela cidade, olhava as paisagens pelo metrô e decidia descer nos lugares mais bonitos. Consegui ir até agência e ainda chegar à escola, só pra conhecer o caminho. Almocei na rua e quando não sabia direito qual ônibus pegar pedia informação. Ah, quando eu não conseguia me expressar direito em inglês partia para o espanhol. Claro que só podia falar em espanhol  com aqueles com cara de peruanos, então todos que lembravam um hispano eu atacava. Massss, cometi um grande erro. Não sabia que Vancouver era dominada pelos filipinos haha Então, quem achava que era hispano, na verdade, era FILIPINO haha E quando as pessoas me diziam que não falavam espanhol eu até achava que estavam mentindo, escondendo suas raízes. Como pode??? Ou seja, paguei alguns micos por aqui. Ainda bem que estava sozinha! rs
O meu primeiro dia foi bem intenso, rodei a cidade sem errar nenhum caminho. Até descer na estação de casa e não acertar minha rua. Andei meia hora na escuridão (eram apenas 6h da tarde e já parecia 10h), algumas pessoas até tentavam localizar minha rua pelo celular, mas eu não entendia direito as explicações delas rs  E o pior, eu não tinha anotado o telefone da família. Ate que decidi pegar outro ônibus e voltar pra estação novamente, até entender o que tinha feito. Simples; sai do lado oposto da estação! Nem acreditei que era só isso. Depois conversando com alguns amigos entendi que todo mundo se perde no primeiro dia, enfim, isso faz parte do "batismo canadense" rs